No Rincão da Forquilha

Coisas do meu rincão. Causos e estórias do meu rincão

A Mina do Nego Feliciano

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Pra outros lados não sei, mas aqui no continente das lagens “mina” é o tesouro escondido nas centenárias fazendas. Minas enterradas, de certo, na época das lutas entre maragatos e chimangos ou na guerra dos farrapos.

Ao certo ninguém sabe, mas corre a lenda, que na aproximação de novo embate, os ricos fazendeiros escondiam seu ouro, que em muitos casos ficou perdido.

Mexe com o imaginário popular. Há inúmeras estórias de minas tiradas, certamente de algum buraco de taipa ou num velho cemitério campeiro.

A mais famosa estória de mina, é a do Nego Feliciano.

Conta Tio Roma, que Nego Feliciano era peão de muitas fazendas, taipeiro como poucos.

Onde teve maior parada foi nas fazendas do Niquinho Alves, no Santo Antonio do Caveiras e na antiga Pinheiros Altos, do Jorge Branco, lá pras bandas da Boavista.

O causo ocorreu justamente na mesma época que o taipeiro Juvenal Correia, pai do Tio Roma, arrumava o mangueirão da velha fazenda. Por cima da mina, caminhou muitas vezes, mal desconfiava o velho taipeiro que a fortuna estava a seus pés.

Por esta época, Nego Feliciano andava atormentado com um sonho diário. Nele um velho fazendeiro pedia para seguí-lo até uma mina escondida na fazenda. O sonho acabava e o Nego Feliciano, cada vez mais encucado.

Certa vez, o peão velho encilhou o cavalo e foi dar uma volta no Painel. Depois de muita prosa e muitos tragos de pinga, no armazém do Orion, o nego velho, de cara cheia botou o pé na estrada.

Do jeito que chegou caiu. Dormiu ali mesmo no galpão. Cedo a geada tirou o peão do sono. Levantou e se mandou pro fim da invernada, pra conferir o sonho da noite anterior, pois o velho fazendeiro finalmente havia indicado onde a mina estava enterrada. Debaixo de um bugre seco, junto da taipa.

Na noite seguinte, quando a peonada dormia, retirou a mina e a enterrou debaixo de uma pedra no meio do mangueirão da casa.

No final de semana, levou pro Painel, onde escondeu num pé de vime. Mas na semana seguinte, a mina voltou pro mangueirão dos Pinheiros Altos.

Semanas depois, o patrão desconfiado, fez pressão na peonada. Nego Feliciano então entregou pro patrão a mina achada. De gratificação, recebeu uma égua encilhada.

Conta Tio Roma que a tal mina rendeu muito gado e fazendas e que o Nego Feliciano morreu pobre, trabalhando.

Mal sabe Tio Roma que a cultura e as tradições são os verdadeiros tesouros de um povo.

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