No Rincão da Forquilha

Coisas do meu rincão. Causos e estórias do meu rincão

Tornado na Fazenda Grande

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Se tem algo que amedronta o povo campeiro das fazendas é tempestade com raios e granizo. Agora o que apavora mesmo é o tornado.

E aqui por estas bandas não é algo raro de acontecer. Há poucos anos atrás, o último tornado que passou, atingiu em cheio a vila do Painel destruindo várias casas e derrubando mais de 2 mil pinheiros.

O ocorrido foi no final de tarde e há relatos de pinheiros e até gado voando pela cidade. Se é lenda ou fato não sei, mas de fato a garagem do Tio Jânio levantou vôo e parou em cima da casa do vizinho.

Mais o fato que vou contar é mais antigo. Da época em que o patrão comprou a fazenda.

A antiga sede estava virada numa tapera velha, com muita vassoura e taipas caidas. Só tinha um velho galpão em ruinas. O começo foi de muita faxina e a prioridade foi construir um novo galpão com baias pros cavalos, banheiro e quarto pra hospedar algum peão.

Logo que o galpão ficou pronto, o patrão passou a ocupá-lo nos finais de semana.

A comida era feita no fogo de chão e logo que anoitecia, todos já estavam na cama. Algum tempo depois, no final da primavera, num sábado estavam na fazenda a Vó Dorinha, Vô Cide, Tiago e o patrão.

Lá pelas dez da noite, a mulher velha por conta do efeito do chimarrão desceu pro banheiro. O movimento acordou o patrão.

Logo que as coisas se acalmaram e antes de pegar no sono, o patrão sentiu aquela lufada, em seguida o debulhar das telhas e a sacudida no galpão, pronto era um tornado.

A mulher velha se apavorou, num instante imaginou que tudo ia pelos ares, quando ameaçou abrir a porta, o patrão gritou:

  • Não abre que é pior. O negócio é deitar e esperar.

Nova rajada de vento e mais telhas no chão, aí a mulher velha se deseperou, se agarrou no Vô Cide e rezou um terço em poucos segundos. Não demorou muito e o tornado passou. Aí todos aliviados voltaram logo a dormir

No dia seguinte a Vó Dorinha jurava que o galpão tinha levantado um metro do chão, mas de fato ele foi sacudido pelo forte vento e por sorte o prejuízo ficou só nas telhas.

O olho do tornado passou a trezentos metros dali e por onde passou fez estrada, nada ficou de pé. Pinheiros, árvores, tudo foi ao chão.

Como a mulher velha ainda estava apavorada, Vô Cide sempre muito gozador, não perdeu tempo, disse que se o tornado tivesse atingido o galpão em cheio, como ela era muito leve, com certeza ia parar na copada de algum pinheiro.

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